quarta-feira, 1 de julho de 2020

Unguilty - Entrevista

Recentemente a DSBM - Depressive Suicidal Black Metal Brazil teve o prazer de entrevistar o fundador e único membro da incrível banda Unguilty
É impossível pensar em cenário underground nacional sem esbarrar por essa incrível banda.


Poderia falar um pouco de como surgiu o Unguilty e qual o propósito por trás da banda.

F.R - Criei o Unguilty no último mês de 2018, aos 18 anos de idade. A motivação foi bastante simples: eu compunha muitas músicas e queria poder fazer algo com elas além de apenas deixa-las arquivadas. Então, “por que não criar uma banda para poder lançar essas músicas?”, pensei. E assim surgiu meu primeiro projeto musical que de fato, produziu e lançou algum material.

Como foi o processo de composição do último álbum, "Beyond The Black Horizon" lançado em Janeiro. Vimos que inclusive você mesmo desenvolveu a arte do disco.

F.R - “Beyond The Black Horizon” foi meu primeiro trabalho lançado através de uma gravadora, e isso me fez olhar para cada música com mais atenção. Na época, minha rotina estava bastante desgastante e podia compor apenas em alguns momentos, quando havia tempo livre. Por isso, a composição levou tempo. Enquanto o álbum anterior, “Legacy Of Misery”, foi escrito inteiro em cerca de um mês, este último levou pelo menos dois meses. Mas também, resultou no meu trabalho mais refinado até o momento, fruto de muito estudo sobre a teoria e produção musical. Parte deste esforço resultou também na arte da capa, que pintei utilizando tinta nankin. Mostra uma representação abstrata de um pássaro solitário voando acima de um desolado horizonte, referência à letras do próprio álbum.


Você costuma compor em inglês, existe algum motivo específico para isso ou é a forma de se expressar em que você se sente mais a vontade?

F.R - Embora a Unguilty seja ainda pouco conhecida, é uma parte muito importante de minha vida. E tenho pretensão de que venha a se tornar uma banda maior. Por isso, escrevo em inglês como uma forma de facilitar o alcance de públicos não apenas nacionais, mas também estrangeiros.

Qual o motivo do projeto levar o nome "Unguilty"

F.R - Acho interessante a ideia de alguém ser eximido da culpa de algo. Traz certa angústia pensar que, da mesma forma que alguém pode ser inocentado, também pode ser condenado. É uma dualidade drástica, porém muito simples. Além também de achar a sonoridade da palavra muito bonita.


Não é muito comum bandas de DSBM se apresentarem ao vivo, você tem interesse de um dia levar a Unguilty aos palcos?

F.R - Nunca me apresentei ao vivo para grandes públicos, mas é algo que sempre tive vontade. Porém, ainda não sei dizer se a música no Unguilty seria algo que eu gostaria de apresentar desta forma. Minhas composições são muito íntimas, além de por vezes, possuírem certas atmosferas que poderiam não ser ideiais para uma apresentação ao vivo. Por isso, sinto certo estranhamento quando penso sobre isso, mas acredito ser apenas um nervosismo natural. Contudo, não descarto a possibilidade.

Quais bandas e álbuns você tem escutado ultimamente? Elas servem de influência direta no som da banda?

F.R - Costumo variar bastante o que ouço, mas ultimamente, tenho ouvido muito Empyrium, Agalloch, Paradise Lost, Saturnus, Forgotten Tomb... geralmente algo envolvendo o black e o doom. As influências do que ouço estão sempre presentes em minhas composições. Em minha primeira Demo, por exemplo, é clara a influência de Nocturnal Depression, que ouvia muito na época.


A quarentena vem despertado a criatividade de diversos artistas que estão aproveitando a mesma para compor e lançar novos materiais, isso também se aplica a você?

F.R - Certamente. Com mais tempo livre, posso me dedicar muito mais à música - tanto a composição quanto a produção – e aos meus planos de eventualmente criar um selo musical. Porém, infelizmente ainda não lancei músicas novas neste período pois o selo do qual faço parte é da Itália, país que tem passado por um período turbulento devido à presente pandemia, o que afetou seu trabalho. Mas já entrei em contato com seu representante e em breve, deve haver um novo EP do Unguilty, que já está pronto para ser lançado.

A Unguilty faz parte do selo italiano "Visionaire Records" na sua opinião, o quanto influencia um projeto de dsbm fazer parte ou não de um selo/gravadora.

F.R - A distribuição de músicas e o alcance que elas terão podem ser muito maiores através de um selo, se comparado com o que seria se for como artista independente. Porém, estando em um selo, naturalmente você estará abdicando de parte do lucro financeiro que vem de sua música e também, não terá todo o controle dela (como a fiscalização das estatísticas de distribuição). Então, acredito que estar em um selo pode ser um grande passo para um artista, mas saber administrar o próprio projeto de maneira independente também pode trazer ótimos resultados (principalmente no início).


Fale um pouco sobre sua trajetória como músico. Você participou de projetos anteriores?

F.R - Comecei a estudar música aos 14 anos de idade, quando ganhei meu primeiro instrumento – um baixo. Durante minha adolescência, participei de algumas bandas de alguns amigos, mas nunca algo sério. Era apenas por diversão. Então, aos 17 anos, criei minha primeira banda (chamada Naeramarth, teve o nome trocado para Úmarth) com um amigo e chegamos a gravar um EP, mas este nunca foi lançado. A banda acabou sendo esquecida, e não participei de nenhum outro projeto depois, até criar a Unguilty.

O que você acha da cena de Depressive Black Metal nacional, você acompanha o trabalho de alguma banda/ projeto em especial?

F.R - A cena no Brasil é enorme, mas ainda pouco desenvolvida. A todo o momento surgem novos projetos, muitos de grande qualidade. Mas ainda sinto a falta de algo que impulsione essas produções para que possam de fato, mostrar seu potencial e quem sabe, tornar-se um projeto grande e reconhecido. Desde que criei o Unguilty e comecei a acompanhar mais ativamente a cena, percebi que muitos artistas se esforçam muito em sua busca pelo reconhecimento, assim como eu. Isso me faz crer que é uma questão de tempo para a cena brasileira se tornar uma de destaque internacional. Acompanho diversos lançamentos em grupos de redes sociais e o alcance que estes meios digitais proporcionam, quando bem utilizados, é enorme. Por isso, não costumo acompanhar projetos específicos, mas ouvir um pouco de tudo que encontro.

Conclusões Finais

F.R - Gostaria de agradecer à DSBM Brazil por me dar esta chance de falar sobre minha banda, que é tão importante para mim, e por todo o trabalho que a página vem fazendo pela cena do DSBM nacional. É admirável, e espero poder participar ainda de mais artigos e projetos futuros. Agradeço também à todos que vem me apoiando e dando suporte à minha música. Em breve, haverá material novo pela Unguilty!

Vocês podem encontrar todos os lançamentos da Unguilty nesses links:
Youtube 
Bandcamp
Facebook
Spotify

(Esta entrevista também se encotra disponível na página DSBM- Depressive Suicidal Black Metal Brazil)

terça-feira, 2 de junho de 2020

Nattag - Entrevista

A DSBM Brazil teve o prazer de conversar com o líder de uma das melhores banda de Depressive Black Metal da cena atual. Yakoushi é o fundador e foi por muito tempo o único membro da incrível Nattag.


Como surgiu a Nattag, é a sua primeira experiência em uma banda?

Yakoushi: A Nattag teve duas ocasiões de surgimento, por assim dizer. A primeira delas foi em 2018, em sessões de noise que eu fazia com um mini-teclado antigo e muito ruim da Casio que meu pai tem. Influenciado pelo primeiro álbum do Aphex Twin, tentei fazer uma faixa ambiente de 4 minutos, e essa foi a primeira encarnação da Nattag (que, no início, destinava-se a ser um projeto de dark ambient); depois disso, deixei o projeto engavetado durante um bom tempo, até que - se não me falha a memória - em maio ou junho de 2019 eu decidi ir no banheiro do apartamento em que morava na época e começar a berrar um poema meu e, em cima daquela gravação, fiz todos os outros instrumentos (com a bateria sendo um ritmo genérico do justo teclado).
E pior que não, o Nattag não foi meu primeiro projeto. Em meados de 2017 eu tinha um projeto propositalmente ruim de noisecore entitulado ''Trashland''. Lancei um bocado de coisas com ele, mas perdi a inspiração e aquele choque inicial das primeiras gravações - que apresentavam um humor baseado no absurdo - se esvaeceu, então dei um fim a ele.

Atualmente você é o único membro da Nattag, essa formação é proposital ou futuramente você pretende recrutar novo novos músicos?

Yakoushi: Em fato, no final de maio eu consegui um baixista para acompanhar-me nas minhas criações. Mas, sim, eu mantinha essa isolação por vontade própria pois trabalhar com os outros é, muitas vezes, ânus. Você vê, eu não gosto de criar apenas por criar - precisa ter um sentimento, precisa ser sincero. Tive algumas experiências com outras bandas em 2019, e não foram boas; eu não tinha envolvimento emocional com a música, tampouco com a(s) pessoa(s) por trás daquilo. Não funcionou a mim, apenas. Trabalhar com os outros apresenta muito contato, discussões, divergências, exigências, prazos e expectativas...


Ao ouvir qualquer álbum da Nattag podemos perceber diversas referências. Você pode falar um pouco sobre isso?

Yakoushi: Ah, é uma boa pergunta, haha. Eu não possuo influências fixas ou onipresentes, tudo depende do meu estado de mente naquele instante, no meu sentimento, na atmosfera que quero passar e no que estive me baseando e apreciando em dado tempo. Por exemplo, para a track ''Alma Consumida'' eu me baseei muito no Xasthur, pois havia experienciado algo que é descrito de forma coerente pelas obras do Scott Connor, então quis expressar isso com uma sonoridade e atmosfera semelhante. Agora, com a faixa ''Despedida'', me inspirei na banda The Angelic Process; quis passar uma atmosfera densa, barulhenta e maciça, pois é como me sentia naquele momento e a sonoridade dessa banda ressoava com a situação. É sempre assim. Posso citar, porém, grupos e artistas que têm uma influência mais constante sobre o que faço: The Cure, Lifelover, Katatonia, My Bloody Valentine, Funeral, Ras Algethi, et cetera. Possuo outras inspirações, mas direciono elas a um outro projeto.

Qual é a origem do nome da banda, você se inspirou em algo específico para criar esse nome?

Yakoushi: Ah, ''Nattag'' é uma palavra sueca que - até onde minha estupidez se estende - significa ''trem noturno''. O motivo para o sueco é que é uma língua que eu gosto, além de soar bem. O significado não é profundo ou coisa do tipo, apenas faz alusão àqueles momentos em que você está em movimento à noite, e qualquer imagem e/ou luz que chega à sua visão se embaça e treme, formando uma paisagem irregular e etérea. É uma sensação meio hipnótica, como se você estivesse em transe. A parte do ''trem'' é meramente porque se você está sozinho e dentro de um trem em movimento à noite, essa sensação vem a você com maior facilidade (eu suponho).


O álbum Confinement foi o último lançamento da Nattag, você está trabalhando em algo novo?

Yakoushi: Quem dera fosse um álbum - ''Confinement'' é apenas uma faixa mal-gravada... E eu pretendo lançar um novo EP, mas não posso estipular datas pois minha instabilidade faz eu não ter regularidade nenhuma no momento de produzir algo só meu. Tenho alguns rascunhos das guitarras prontos e as letras estão definidas já, mas não sei ao certo como soará. Quero trabalhar logo nisso - ainda mais agora que a Nattag possui baixista - mas estou preso sem um microfone funcional até o agora. Estou no processo de arrumar um outro microfone, e assim finalmente produzir algo para essa porcaria (depois de meses de atividade mínima).

Além da Nattag você participa de algum outro projeto atualmente?

Yakoushi: Tenho o Véspera do Anoitecer, que é meu projeto para ''restos''. Costuma variar entre shoegaze, post-punk e música eletrônica (não sei definir qual subgênero dela), e os primeiros lançamentos dele são uns dos meus piores, hahaha. Nesses tempos recentes, estive brincando com os VSTs do Mixcraft para produzir algo eletrônico reminiscente de bandas como The Cure, Ova Looven, Twice A Man e o primeiro álbum do John Foxx, apesar de que só lancei uma faixa muito bagunçada até o momento. Tenho uma track inacabada, mas não acho a motivação para terminá-la sem poder gravar guitarras e vocais com um microfone decente.
Além do Véspera, faço vocais e letras na Fentanil e tenho o mesmo cargo em um projeto chamado ''Suicide is Solution'', de um amigo meu. O último é algo bem ocasional, porém.


Como funciona o processo de gravação?

Yakoushi: Varia dependendo do meu equipamento. Nos primeiros álbuns, eu fazia tudo com o microfone do celular e usava o Audacity para mixar. Depois de certo ponto, comprei um microfone bostinha, e com ele gravei tudo desde o ''Afogado em Monotonia'', mas a última track que lancei, ''Confinement'', foi feita novamente com o áudio do meu celular, pois o microfone que tenho aqui não é mais reconhecido por ele, e quando comprei um adaptador de áudio para fazer o computador reconhecê-lo, o maldito para de funcionar por mau contato (talvez eu devesse me enforcar com o cabo dele). Infelizmente, até o ''Blood II'' eu usava a bateria horrível do Hydrogen, então você ainda acha umas faixas com ritmos duros e mecânicos nesse álbum. Por sorte eu criei um pouco mais de juízo e comecei a usar o Mixcraft e o EZDrummer a dado ponto. Como eu sou um analfabeto musical, praticamente todas as músicas do Nattag até hoje estão com os instrumentos fora de tempo.

Fazendo uma busca rápida pela internet, encontramos alguns álbuns que não estão listados no Bandcamp. Eles foram excluídos da discografia oficial?

Yakoushi: Bem, na época eu criei o Bandcamp justamente para lançar as músicas do ''novo período'' da Nattag, que seria tudo depois do ''Blood II'', então não vi muito motivo para ficar enchendo a página de lançamentos horríveis e ainda mais incompetentes que o normal. Eu os considero parte da história do projeto, sim, mas muito pouco do que fiz no passado representa o que a Nattag de fato é. Digo, até as letras dos álbuns passados são um lixo, pois eu estava tentando ser ''cru'' e ''direto'' enquanto o que realmente me serve é uma forma de escrita muito mais próxima do que o Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Alphonsus de Guimaraens e Edgar Allan Poe faziam (não que eu consiga chegar perto da qualidade deles, claro). Me arrependo profundamente de ter deixado algo como ''Aborte-me'' existir, mas por sorte hoje em dia eu não sou tão estúpido quanto eu era no início do projeto em relação a isso, então opto por escrever coisas como a ''Incômodo'', a ''Ghost II''. Em fato, fui checar agora e notei que uns 90% do catálogo da Nattag é composto por letras horrorosas pois eu tinha medo de usar meu material bom em algo com uma qualidade sonora baixa. Esse tipo de coisa me deixa com desprezo do projeto (e um pouco de dó e alívio, pois realmente, por sorte eu não usei meu material ''menos pior'' nesse monte de lixo).

Você pretende lançar o material da Nattag de forma fisica? Se sim, tem alguma label em mente?

Yakoushi: Essa pergunta me fez rir, pois é algo completamente impensável a mim. Primeiro que não considero o que faço bom o bastante para ser transformado em um item físico, além de que eu duvido muito que alguma label quisesse lançar minhas coisas, e isso envolveria prazos e exigências, coisa que me soa como um desprazer. Tem também o fato de que praticamente ninguém acompanha meu trabalho de verdade, e o público que é atingido é muito pequeno. Eu acho que seria interessante colocar algum álbum meu em um CD e dar para alguém, mas fica por isso mesmo.

O que você acha da cena de Depressive Black Metal nacional? Você acompanha algum projeto que acha promissor?

Yakoushi: Aqui, suponho que valha dizer que me coloco em totalidade como ouvinte dizendo o que sinto, separando-me de mim como criador (porque sempre tem o idiota que acha que emitir a própria opinião significa que eu considero o que penso um fato). Eu acho que tem bastante coisa interessante, tipo o Abismika, Ensimesmamento, Noctívago, Unguilty, Frio Insólito, Entardecer, Deadleaf e outros, mas também tem muita coisa feita sem paixão e de forma imatura e infantil demais - chega a ser cômico. Penso que letras como ''minha morte é um desejo / só quero morrer / me deixe ir embora daqui / porque estou sofrendo muito'' são vazias e redundantes demais para meu gosto. É o motivo pelo qual eu não gosto de muita coisa dentro do DSBM: a quantidade de coisa genérica e previsível é muito grande. Se um artista baseia toda a discografia dele na estrutura ''guitarra limpa dedilhada > fill curto de bateria > guitarra distorcida com timbre e vocal genérico (talvez com a guitarra limpa ainda de fundo) > fim da música (talvez voltando à guitarra limpa)'', eu não vejo ponto em ouvir as músicas, sendo que ele apresenta tudo o que tem em apenas uma. Não vejo problemas nessa estrutura, ou em algo ser genérico, ou repetitivo, ou previsível, mas tem que ter algo a mais; se for APENAS isso, a música acaba soando vazia demais.
Além disso, eu nem me considero como membro da cena black metal ou coisa do tipo, pois acho que fazer parte de um grupo assim propositalmente é meio sem sentido, além de que não escuto tanto DSBM pois boa parte dele simplesmente não me interessa ou ressoa com o que sinto, apesar do meu envolvimento com a cena. O rótulo de ''DSBM'' no Nattag serve puramente ao propósito de que eu não conheço nenhuma outra forma de categorizar o que faço.

Conclusões finais

Yakoushi: Agradeço MUITO à DSBM Brazil por ter divulgado várias vezes meu trabalho defeituoso, hahaha. Espero não ter soado presunçoso ou sério demais nas minhas respostas, porque isso seria o total oposto de quem eu verdadeiramente sou: uma garotinha frágil de 10 anos. Para fechar essa entrevista desnecessariamente longa por minha parte, aviso que ainda esse ano sai um EP novo da Nattag (juro, para a infelicidade de quem conhece o projeto), e peço para os leitores checarem a Fentanil - banda de um amigo meu na qual faço vocais e letras -, em especial o álbum Desmaterialização, que é (pelo menos para mim) nosso melhor lançamento até agora, além de que isso dará uma percepção melhor do meu processo de escrita e dos meus poeminhas amadores. E a você, curtidor e leitor da página, mando um abraço e beijinhos (onde você quiser)!


Links Relacionados ao Projeto Nattag

(Esta entrevista também se encotra disponível na página DSBM - Depressive Suicidal Black Metal Brazil)

sábado, 16 de maio de 2020

Érdos e Astratta (Póstumo Sölstício Records) - Entrevista

O Brasil tem uma quantidade inumerável de artistas independentes que, apesar do alcance extraordinário que a internet oferece, ainda se mantém desconhecidos até no meio Underground. No entanto, essas duas pessoas mencionadas aqui, de enorme talento e simpatia, vêm pouco a pouco percorrendo o caminho do meio musical e trazendo sua arte sonora para todos que apreciam a música em sua forma mais honesta. Tivemos o prazer de conversar com o músico Érdos e a musicista Astratta, ambos a frente de vários projetos e bandas, tanto solos quanto juntos, entre eles estão AutoquíriaDen Svarta HäxanSynthsatanEncephalo SwarmEntardecerXaktenarhMDZhBV/H/SMontosse ... e, com tanta expressão de criatividade assim, fez com que criassem o próprio selo musical o Póstumo Sölstício Records. Evidentemente, a música não é um mero hobby para ambos, ela é algo que se tornou inerente à rotina dessa dupla.


Quais são suas influências musicais? Vocês têm familiares no meio da música, ou foi um interesse que partiu de vocês mesmos? E com quantos anos iniciaram na música?

Érdos: Olá pessoal, agradecemos a oportunidade desta entrevista! Bem, comecei a me interessar por música acho que com uns 9 anos de idade quando um dia encontrei um violão velho em cima de um guarda-roupa (até hoje me pergunto de quem era) em uma das casas que morei, na época era bem comum minha família não permanecer mais de um ano na mesma casa, (o que me fazia ter que me mudar muito). Na minha família não há músicos nem incentivo por parte deles, muito embora que por influência da minha mãe e seus vinis tive meu primeiro contato de fato com música, como The Cure, Sigue Sigue Sputnik e etc... Certa vez conheci um grande amigo até hoje (o Kadu Hammet) e por tardes, observava ele tocando sua guitarra e achava muito bacana, posteriormente ele fez alguns projetos por conta própria como Luxúria das Valquirias, Perverted Midnights e Noite Horrenda. Tudo aquilo era fascinante, observá-lo usando uma câmera pra gravar de um amp, depois usar um editor de vídeos para juntar tudo, então devo tudo o que construí até aqui a ele (uma vez que ele me emprestava muitos discos do seu extenso acervo).

Astratta: Eu comecei a me interessar por música muito cedo, meus pais sempre ouviram muita música de forma eclética. Na minha casa ouvíamos de tudo, música clássica, heavy metal, rock psicodélico, progressivo, eletrônica... até o mais suave jazz. Quando eu tinha meus seis anos de idade, eu costumava acompanhar a minha mãe nas casas de shows onde ela se apresentava como artista solo, (sim, ela é musicista) quando eu estava nesses lugares, sempre observava o baterista, fascinada pelo instrumento. Até que uma vez, durante uma pausa entre uma apresentação e outra, fui correndo desesperadamente até a bateria. Alguns minutos depois eu já estava acompanhando a minha mãe em uma de suas músicas. Foi mágico. Desde então fui melhorando como baterista e participei de algumas ‘lives’ com algumas bandas, onde tive um bom aprendizado. Depois de um tempo, comecei a me interessar por instrumentos de corda, como guitarra e violão. Só então em meados de 2015 pude ter acesso a equipamentos de gravação e pude também iniciar o meu primeiro projeto musical. Desde então, tenho trabalhado com diversos tipos de música me envolvendo cada vez mais com coisas que amo, como música experimental e metal.

Vocês somam uma quantidade bastante considerável de bandas e projetos. Ambos se unem em muitos deles e, também, carregam seus projetos solos. Como se dá o processo de composição e construção de melodia? Tanto nas parcerias quanto sozinhos, vocês se inspiram em quê?

Érdos: Quando iniciei criando músicas eu criava as melodias no violão e as gravava com o celular. Como não tinha a menor condição (nem conhecimento) pra gravar nada, as idéias permaneciam guardadas. As primeiras letras eu rascunhava no meu antigo caderno de escola. (Faz tempo hem). Posteriormente estudando comecei a gravar o teclado no computador, tudo muito chiado (Lo-Fi é chique), daí saiu a primeira demo do V/H/S intitulada "Entardeceres Invividos" (primeira demo feita numa DAW) ela, como tudo o que eu criava, era carregada no SoundCloud. Inicialmente, isso foi uma experiência legal, onde consegui concluir algo. Posteriormente, as melodias (aquelas do início que eu gravava com o celular) só se tornaram músicas mesmo com a ajuda de Astratta. Bem, isso originou nosso primeiro Full-Length "Opus DCLXVI", nele coloquei todas as antigas melodias e letras de momentos diversos de minha vida. E por fim, atualmente, meu processo de composição mudou muito. Às vezes tenho um estalo na mente e anoto alguma ideia para abordar, e como tenho sentimentos e momentos diversos de minha vida, preciso de várias bandas para que eu possa explorar isso de forma adequada, no Autoquíria por exemplo, eu abordo o Alzheimer da minha avó, as lembranças de bons momentos e pequenos nuances que presenciei, como meu primeiro contato com a perda (e o choque de realidade que isso despertou). Resumindo um pouco, componho sem saber aonde vou, no final da composição eu decido onde melhor se encaixa o que, e acabo por usar letras que a muito já tenho guardadas.

Astratta: Eu não tenho noção do que estou fazendo. Simplesmente, abro minha DAW e dentro de algumas horas já tenho uma música pronta. Curioso não?!


Todos os projetos, ou a maior parte, seguem na linha do metal, mais especificamente do metal extremo. Vocês costumam escutar outros gêneros musicais? Quais?

Érdos: Sem dúvidas, eu aprecio a boa música e suas mais diversas expressões como o folk, a música ambiente, stone, música experimental, post-punk e industrial e, com o advento da internet nos últimos anos, tem surgido inúmeros gêneros que me influenciam bastante, como o chiptune, nintendocore, vaporwave, retrowave, até bandas que flertam entre gêneros como música barroca e metal. Acho que o metal é algo que transcende eras e é intrínseco que irá continuar surgindo subgêneros e mesclas que sempre estarei ansioso para ouvir.

Astratta: Sim, embora eu seja mais conhecida no meio do metal extremo, sou uma grande fã da música experimental em si, principalmente da música eletrônica experimental (IDM) e jazz fusion.

Em qual projeto iniciou a primeira parceria de vocês, e como surgiu essa conexão? Já se conheciam, haviam tido algum contato prévio?

Astratta: O Érdos já gravava suas próprias músicas quando o conheci, a gente se dava muito bem, falávamos sobre música o tempo todo e tínhamos os gostos parecidos. Até que um dia ele me propôs assumir as baterias do V/H/S. Eu não hesitei, ele tinha idéias incríveis e conseguia transmitir seus sentimentos mais profundos em seus riffs. Então veio nosso primeiro trabalho juntos, o já mencionado ‘Opus DCLXVI’, gravado em 2016 e liberado posteriormente pelo selo que criamos juntos (atualmente o Póstumo Sölstício Records).

Érdos: Somos inseparáveis. Compartilhamos todo nosso conhecimento entre nós, sempre que aprendemos ou conhecemos algo novo.


Ambos são músicos completos, cantam, tocam e compõem. Uma versatilidade admirável. Quando se unem para criar música, vocês definem seus lugares (quem vai cantar, compor, tocar os instrumentos) ou é algo que surge no momento e de acordo com a proposta musical?

Astratta: Depende. Eu não tenho muita habilidade na escrita, então eu prefiro compor a parte instrumental e deixar que o Érdos escreva e cante quando estamos trabalhando juntos.

Érdos: Em minha defesa, há sempre uma briga pra decidir quem faz o que, então decidimos dividir apenas bandas que criamos juntos como o Synthsatan, haha.


É notável que a música está presente massivamente na vida de vocês. Vocês sentem que, de alguma forma, a música canaliza seus sentimentos e emoções sufocantes? Ela proporciona um escape positivo?

Érdos: Não é como em outros hobbies, é mais uma necessidade corriqueira, é algo que precisamos pra preencher o vazio e dar algum sentido a esta breve e efêmera estadia.

Astratta: O processo de composição funciona como uma terapia para mim, se algum dia eu ficar incapaz de criar música, seja por alguma doença, velhice ou algo do tipo, eu sei que nunca vou conseguir superar isso.

Vocês são pessoas, relativamente, conhecidas na cena underground aqui do país. Érdos, inclusive, é ilustrador e produz logotipos e outras artes para várias bandas. Astratta vêm fazendo parcerias com tantos outros músicos. Como vocês vêem essa cena, mais especificamente do Depressive Black Metal, aqui no Brasil?

Érdos: Há realmente uma quantidade considerável de bandas todas as semanas (eu confesso que não consigo mais acompanhar) e isso é ótimo, ver que o conhecimento e o poder que antes era detido apenas pela indústria fonográfica agora está sendo amplamente divulgado e cada vez mais pessoas adotam o DIY, metem as caras e fazem algo que dê algum sentido a suas vidas, seja na música quanto na arte, eu valorizo essa expressão artística mais pessoal que vem ocorrendo nesses últimos anos.

Astratta: Você sempre pode ver novos projetos de Depressive Black Metal surgindo todos os dias, tanto projeto solos quanto projetos interestaduais. Me impressiona o quanto isso vem crescendo no país. Se eu interagisse mais na internet, de fato, teria a chance de conhecer muito mais pessoas neste meio.

Montosse traz o encaixe entre a melancolia e o sombrio. É interessante e, ao mesmo tempo, intrigada tal relação. É perceptível que muitas pessoas que apreciam a música depressiva suicida também gostam da cultura do horror (filmes, livros, imagens, etc.). Érdos, para você que compõe as letras desse projeto, você acredita que a existência humana é dolorosa e também pavorosa e, por isso, gera essa busca pelo obscuro?

Érdos: Acredito que o medo é inerente a nossa existência, desde muito pequenos já nascemos chorando (tememos sem nem saber a que), quando crianças estamos cercados por histórias de horror, seja no canto escuro do quarto, ou na maldade de uma história onde a bruxa envenena uma garota, ou até nos televisores antigos com monitores CRT (que quando estavam desligados eu procurava pareidolias ali). Quando mais velhos entendemos parte das coisas que acontecem ao redor do mundo e bem essa parte preferimos viver em negação a pensar todos como vermes em potencial, o ser humano por vezes se provou desprezível, seja pelo maltrato animal ou em coisas bem mais horrendas, partindo pra parte mais irracional, costumamos não confrontar nossa mortalidade, viver na ilusão de que enquanto houver amanhã, nós ou quem amamos não irão morrer e, pra ser sincero, o mistério por trás da morte tem sua beleza, nesse caso o medo é algo tão enraizado no inconsciente e de certa forma gostamos disso, a beleza está no efêmero, se vivêssemos para sempre, que graça haveria? Pra mim, o metal extremo preencheu parte da minha necessidade pelo obscuro, tal como a literatura de horror (como do mestre Lovecraft que guia parte da inspiração para o Montosse com seu horror cósmico), os filmes que assistia quando criança (e não dormia suspeitando que uma mão gelada repousaria no meu ombro a qualquer momento, haha). Bem, o medo cumpre o seu papel em nos lembrar que somos mortais e que tanto a humanidade quanto a natureza são cruéis.


As mulheres têm ganhado um espaço cada vez maior, seja no meio musical ou outras áreas artísticas. Como é sua relação com a Astratta, Érdos?

Érdos: Na maior parte do tempo nos damos bem, dividimos as mesmas coisas, assistimos os mesmos filmes, ouvimos as mesmas músicas e nos unimos pra trazer coisas sempre bem diferentes juntos, recentemente estou produzindo (tentando) um jogo e ela está envolvida em algumas partes. Então, independentemente de onde eu vá, eu sei que ela virá comigo.

Não são comuns apresentações ao vivo de bandas onde há um membro apenas, ou mesmo dois. Mas, vocês cogitam fazer algo assim no futuro?

Érdos: Bem, meu caro, pretendemos sim, possivelmente um dia haverá apresentações. No momento, estamos em um hiato financeiro, hahaha, e bem, todos os planos estão restritos à nossa organização futura. Estou atualmente tentando vender minha casa e mudar para um ônibus, e com isso vamos nos organizar para viajar pelo mundo e nos apresentarmos aonde formos.

É evidente a paixão pela música que ambos têm. Vocês costumam realizar suas atividades cotidianas ouvindo música? Quais bandas têm escutado recentemente, e quais podem indicar aos fãs?

Érdos: Costumava ouvir sempre um álbum a caminho do trabalho (vez que levava mais de uma hora pra chegar até lá) e principalmente na hora de dormir, de olhos fechados é um bom momento para refletir e apreciar a música sem interferências. Alguns álbuns me fazem ter sentimentos únicos, vou listar um de cada gênero pra não ficar extenso: (Oranssi Pazuzu) Valonielu; (Zombie Hyperdrive) Hyperion; (Old Silver Key) Tales of Wanderings; (Kraftwerk) Computer Love; (Luxúria de Lilith) Sucumbidos Pela Carne; (Amesoeurs) Amesoeurs; (Lorn) Vessel; (Igorrr) Hallelujah; (Deathstarts) Night Electric Night; (Woods of Desolation) Torn Beyond Reason; (Insomnium) Shadows of the Dying Sun; (Sólstafir) Svartir Sandar; (Symphony Draconis) Supreme Art of Renunciation; (Projeto Trator) Despacho; (Lifelover) Pulver.

Astratta: Eu escuto música praticamente o dia inteiro. Tanto por que eu amo ouvir música ou seja para acrescentar algum conhecimento no meu trabalho com produção musical. Acho que escuto cerca de cinco álbuns por dia. Eu vou mencionar o que tenho escutado recentemente, na verdade, eu fiz uma playlist com alguns dos meus artistas favoritos incluindo Hypomanie, Sun Devoured Earth, Boards of Canada, Drab Majesty, µ-Ziq, Clatterbox, Ghost Bath, Brothomstates, Rotting Christ.


Considerações finais.

Érdos/Astratta: Agradecemos novamente a consideração que nos tem, e esperamos que mais pessoas tragam suas perspectivas de vida em forma de arte para o metal e se esforcem para tirar seus sentimentos cotidianos e depositar isso na música. Temos certeza de que há muitas pessoas com problemas diversos e a música é uma ótima terapia para lidar com tudo, grave seu primeiro som, faça seu primeiro riff ou escreva sua primeira letra. Espero termos ajudado alguém. Abraços.


Você pode encontrar todos os lançamentos solos de Érdos e Astratta, bem como as bandas/projetos onde ambos se unem, e mais informações nos seguintes links:

Esta entrevista também está disponível nas páginas DSBM ImagesDSBM - Depressive Suicidal Black Metal Brazil e no blog Depressedy DSBM.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Skyforest - Discografia

Biografia [Em Breve]



Links:


Aftermath (2014)
1. Aftermath
2. Yearning for the Past
3. I Wish the Dawn Would Never Come
4. Nothing, Worthless
5. Inexistence
6. Together in Death
7. Ascension
8. Together in Death (Acoustic)

Duração: 52:32

Unity (2016)
1. A Graceful Spirit
2. Cosmic Drifter
3. Autumnal Embrace
4. Fading Glow
5. The Swan
6. Reminiscence
7. Voice of the Sea

Duração: 43:01

Harmony (EP 2018)
1. Night Sailor
2. Calm
3. First Rays of Dawn
4. Harmony
5. Where I Belong

Duração: 22:18

A New Dawn (2020)
1. Along the Waves
2. The Night Is No More
3. Heart of the Forest
4. Rebirth
5. Wanderer
6. Scattered Ashes

Duração: 46:30

quinta-feira, 19 de março de 2020

Coronavirus Black Metal - Entrevista [PT-BR/EN]


Com um nome que pode ser chocante para alguns, por outro lado, natural para apreciadores do metal extremo, a banda Coronavirus surge no ano de 2020 para propagar a música carregada de letalidade e infectar os humanos, ironicamente, já saturados da vida. Deixando de lado a pandemia (ou não), conversamos com a vocalista e fundadora da banda Ash Montag que foi bastante simpática e manteve-se numa distância razoável para evitar a transmissão do vírus.


Como surgiu o projeto? Vocês dois tinham um relacionamento musical anterior ou, vocês começaram neste atual?
Ash Montag: Ele me enviou seu material para subi-lo no canal do Youtube (Mitosis TV) e eu realmente gostei, então eu pedi para ele fazer uma colaboração comigo. Ele tem seu próprio projeto (LSCOD). E eu tenho o meu (Draconians).

A banda chegou em um momento em que a epidemia já estava alcançando o mundo. O nome surgiu nesse momento ou você escolheu um pouco antes?
Ash Montag: Não, nós fizemos a música e eu estava pensando no nome e achei que era uma idéia engraçada chamá-lo de "Coronavirus".

Qual é a ideia por detrás da música ''The End Is Near''? É um relato pessoal?
Ash Montag: Sim, eu estava lutando com muitos problemas na época, e eu escrevi como me senti como um pesadelo vivo.


Atualmente, a música ''The End Is Near'' tem mais de 120.000 visualizações no Youtube. No meio dessa popularidade, é natural que surjam críticas, afinal, não é comum o Black Metal ter um alcance tão amplo, ainda mais em relação a uma banda recém-lançada. Como você está lidando com críticas negativas?
Ash Montag: Primeiro, fiquei empolgada ao ver todas as pessoas ouvindo minha música, depois vi os comentários bons e ruins, me importei um pouco no começo, mas depois comecei a ignorá-los porque as pessoas sempre vão te criticar, não importa o que você faça. Eu gosto da minha música e essa é a única coisa que me interessa.

Poucas pessoas devem saber que, por trás dos vocais vigorosos, os vocais vêm de uma mulher. Como você vê essa questão das mulheres no metal extremo? E como tem sido a recepção com o Coronavirus, a esse respeito?
Ash Montag: Há pessoas que não gostam de vocais femininos no metal, elas acham que não somos suficientemente cruas, mas eu tenho uma mensagem para elas: “fazemos o que fazemos porque fazemos isso por nós mesmas e por pessoas que gostam de nossa música e, se você não gosta disso, então engula essa!” Mas também existem pessoas que amam vocais femininos de metal. Isso é engraçado, porque algumas pessoas pensam que eu sou um garoto adolescente devido aos gritos (hahaha).

Ash Montag (Vocais, Baixo e Letras)

A banda recebeu um ótimo e engraçado "Drum Cover", o que você acha disso?
Ash Montag: Eu acho isso impressionante! É a primeira vez que alguém faz um cover da minha música. Eu me senti orgulhosa. E ele arrasou!

Quais as principais bandas que influenciaram o som da Coronavirus?
Ash Montag: Para os vocais são Thorrs Hammer, Gallhammer, Silencer e Burzum.
Instrumentalmente são Burzum e Darkthrone.

E o que aconteceu com o outro membro, ele foi infectado?
Ash Montag: Ele desapareceu há algumas semanas atrás. Sumiu do mapa!

Faceless (Guitarra, Piano e Bateria)

Esperamos que ele esteja a salvo.
Você conseguiu alcançar todos os seus objetivos com a Coronavirus?
Ash Montag: Sim.

Você mencionou seu projeto Draconians, além deste, você participa de outras bandas/projetos musicais? E o que podemos esperar em relação a lançamentos futuros?
Ash Montag: Estou fazendo vocais em uma banda de Atmospheric Black Metal/Dark Ambient da Indonésia. Também estou trabalhando em um EP, mas não relacionado ao metal.

Você pode nos contar um pouco sobre si mesma?
Ash Montag: Ash Montag é o meu nome artístico. Ash é de "Asherah" e Montag é do "The Wizard Of Gore". Sou baixista e cantora de black metal, punk, rock, pop, indie, ópera, folk, grind, etc.

*Asherah, de acordo com a mitologia das antigas religiões semitas, é uma deusa-mãe.
*Montag é o personagem principal do filme The Wizard of Gore, um filme do gênero splatter lançado em 1970.



Como foi o seu primeiro contato com DSBM?
Ash Montag: Recordo-me que minha vida estava uma bagunça. Meu ex me traiu, problemas familiares, notas baixas na escola, basicamente tudo uma merda, e lembrei que alguém havia me falado sobre DSBM e eu procurei por ele. A primeira banda que ouvi foi Austere e nunca esquecerei isso.

Você conhece alguma banda brasileira? E o que você acha dessa cena por aqui e, nas Américas, de modo geral? 
Ash Montag: Sim, Midnight Loss. Eu acredito que está ficando maior a cada dia, mas ainda Underground.

Quais as considerações finais e mensagem para todos aqueles que foram infectados com a sua banda (vulgo fãs)?
Ash Montag: Mantenha doente, mantenha viral!


É possível encontrar o Coronavirus através dos seguintes Links:
Facebook
Youtube
Spotify
Bandcamp
Instagram 

Créditos: DSBM - Depressive Suicidal Black Metal Brazil, DepressedyDSBM Images e Discografias do Metal Negro


How did the project come about? Have you two had a previous musical relationship or, did you start in this current one?
Ash Montag: He sent me his material to upload it on mu youtube channel (Mitosis TV) and i really liked it.
So i asked him to do a collaboratorion with me. He has his own project (LSCOD) And i have mine (Draconians).

Oh, right! And, did the band come at a time when the epidemic was already reaching the world, did the name come at this moment or did you choose a little before?
Ash Montag: No, we made the song and i was thinking about the name and i thought it was a funny idea to named it “Coronavirus”.

Really, a humorous name.
What is the idea behind the song "The End Is Near"? Is it a personal description?
Ash Montag: Yes, i was struggling with a lot of problems at the time.
And i wrote how i felt like a living nightmare.


I got it, and you did well to use music to purge that a little bit.
Currently, the song "The End is Near" has more than 120,000 views on YouTube. In the midst of this popularity, it is natural for criticism to arise, after all, it is not common for Black Metal to have such a wide reach, even more in relation to a newly launched band. How are you dealing with negative criticism?
Ash Montag: First, i was excited to see all that people listening to my song, then i saw the comments there bad and good comments, i cared a little in the beginning but then i started to ignore them because people is always going to criticise you no matter what you do.
I like my song and that’s the only thing that i care about.

You do very well, the criticisms are small compared to the praise and positive messages.
Few people should know that, behind the vigorous vocals, the vocals come from a woman. How do you see this issue of women in extreme metal? And how has the reception with Coronavirus been, in this respect?
Ash Montag: There’s people that dont like female metal vocals, they think we are not raw enough but i have i message to them “we do what we do because we do it for ourselves and for people that likes our music and if you dont happened to like it then suck it”.
But there are also people that love female metal vocals.

This is funny because some people think im a teenage boy for the screams jajaja.

Ash Montag (vocals, lyrics, bass)

Jajaja, I imagine people are making a lot of assumptions.
Well, the band received a great and fun "DrumCover", what did you think of that?
Ash Montag: I think that’s pretty sick.
It’s the first time someone make a cover of my music.
I felt proud.
And he nailed it.

It was really interesting!
What are the main bands that influenced the sound of Coronavirus?
Ash Montag: Voice - Thorrs Hammer, gallhammer, silencer and burzum; instrumentally- Burzum and darkthrone.

And about the other member. What happened to him? Has he been infected?
Ash Montag: He disappeared a couple of weeks ago, like out of the map.

Faceless (guitar, piano and drums)

I hope he's safe.
Have you managed to achieve all of your intended goals with Coronavirus?
Ash Montag: Yes.

Did you mention your Draconians project, besides this, do you participate in other bands/musical projects? And what can we expect regarding future releases?
Ash Montag: I’m making vocals in an atmospheric black metal/ dark ambient band from Indonesia. Also im working on an EP but its not metal related.

Very well! I realize that music is part of your life.
Can you tell us a little about yourself?
Ash Montag: Ash Montag is my artistic name.
Ash is from “Asherah” and Montag is from “The Wizard Of Gore
Im a Bassist and singer of black metal, punk, rock, pop, indie, opera, folk, grind, etc.


How was your first contact with DSBM?
Ash Montag: I remembered my life was a mess.
my ex cheated on me, family problems, low grades on school, basically sucking at everything and i remembered that someone told me about DSBM and i look for it.
The first band i heard was Austere and i will never forget that.

Do you know any Brazilian DSBM project? If so, What ones? And what do you think of the scene here and the Americas, in general?
Ash Montag: Yes, Midnight Loss. I believe that is getting bigger everyday but still underground.

Well, I think we're done here.
What are your final thoughts and messages to everyone who has been infected with your band (aka fans)?
Ash Montag: Keep it sick, keep it viral.

Coronavirus Link:


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Xaktenarh - Discografia


Xaktenarh é um projeto solo de Astratta, formado no inverno de 2019, em Recife, Pernambuco. De forma crua e direta, a sonoridade concentra uma densa fúria e velocidade, característicos do Raw Black Metal, e os vocais vociferam dor, sofrimento, escuridão e desolação.


Em setembro de 2019 é lançado o EP Swamp of Despondency, de forma independente, na plataforma bandcamp. As 6 faixas são de pouca duração mas carregam uma crueza cativante que, ao final do EP, o ouvinte fica ansiando por mais doses daquela agressão lindamente expressada. As músicas refletem o amargor da existência em meio aos dias infindáveis de sofrimento que não cessam. Falam da noite, da escuridão, da neblina que despenca cobrindo alguma alegria. Exaltam as paisagens naturais enegrecidas pela visão turva da vida humana. A marca do desânimo, do abatimento interior, das trevas consumindo qualquer fagulha a sua frente. O peso de sobreviver, de caminhar sob dias onde o sol se ofusca e as noites se mesclam ao negro firmamento. Xaktenarh surge para liberar o caos antes ancorado no interior de Astratta que, assim como todos os projetos em que está a frente, exibe todo o seu talento e expressão genuína das emoções que se assentam na existência finita, mas dolorosamente, humana.

Astratta - Todos os Instrumentos/Vocais.

Biografia Criada Pela Pagina DSBM Images / Canal Depressedy DSBM.

Links:


Swamp of Despondency (EP 2019)
1. Swamp of Despondency
2. Bitter
3. Unholy Moon
4. It All Ends with Suicide
5. In the Mist
6. The Silent Garden

Duração: 15:42